Anjo Salvador 07  

Posted by Diego Bastet in



Sessão 07

Cidade Murada de Barrault - Himline - Ladrão 17 de 589E


“Kniaz, o magrela?”, questionava a moça loira, olhando para o guerreiro. “Você cresceu”, completava então, olhando para cima. É então que os bandidos alcançam o grupo, e vendo as diversas pessoas armadas e a cavalo, para a alguns metros de distância.

“Rose-Marrie, o que está acontecendo?”, indaga o grande Kniaz, mas não tem tempo de obter uma resposta.

“Estou farta de jogos, Rose-Marrie. Dê-me a maldita pedra!”, ordena uma mulher entre o grupo de talvez uma dúzia de rufiões, bandidos e tipos durões.

“Diga para Danny que ele pode inserir a pedra no local onde a luz não bate!”, devolve a garota, se escondendo atrás do cavalo de Kniaz.

“Eu sugiro que entreguem a garota. Nosso problema não é convosco”, rosna um dos rufiões, ameaçadoramente segurando o porrete de madeira com reforços de ferro batido.

“E eu sugiro que vão embora. Somos melhor treinados e equipados que vós”, responde o guerreiro.

“Ouviste ele Jornas! Onde está vossa coragem agora que não estou sozinha?”, prova a menina.

Cansada de provocação uma das mulheres do bando prepara uma besta de mão e mira em direção à garota. “Eu odeio essa garota!”, diz ela ao mirar, mas alguém é mais rápido. Ivdan, que estava silencioso até esse momento, mas de arco à mão oculto atrás do cavalo, prepara e dispara uma flecha certeiramente na besta de mão. O impacto do arco recurvo pega a garota de surpresa, e em um feito impressionante arremessa a besta de sua mão.

“É melhor que os ouçam, ou da próxima vez não vou escolher errar!”, rosna ele, sacando de outra flecha e a preparando no arco apontado na direção geral do grupo de rufiões. Armas já estão sendo sacadas por seus aliados, porém, e o grupo de rufiões, com os nervos à flor da pele, também avança para se chocar com os heróis.

Chocam-se então, os bandidos usando roupas grossas de viajante ou no máximo armaduras leves de malha e couro, portando armas diversas e todos com as cores de quem estava na estrada, os mercenários com suas armas mas sem suas armaduras e equipamento mais pesado, por estarem em uma cidade.

A garota Rose-Marrie se revela uma feiticeira de alguma habilidade, conjurando neblina de duas cores em suas mãos que então some e manifesta-se entre o grupo de rufiões, imediatamente derrubando três deles em um sono profundo. Ivdan precisa deixar seu arco para lutar em corpo-a-corpo, Eleonora convoca chamas em forma de espada para lutar e assustar os oponentes, e Kniaz é acertado de raspão na coxa por uma faca envenenada, mas as chances estão à favor dos mercenários, que logo subjugam os rufiões, quebrando sua moral, mas se esforçando para manterem-se cíveis e evitando golpes mortais. Logo metade dos rufiões está se contorcendo no chão e a outra com ferimentos sangrentos mas superficiais, e rapidamente se rendem.



“Peguem seus feridos e desapareçam de minha vista, antes que me prove menos piedoso!”, ordena Roderic, ordem que os rufiões parecem mais do que contentes em obedecer, recolhendo suas armas e feridos e partindo, derrotados, em retirada.

“Fantástico. Vós sois...”, dizia a garota, antes de se ver na mira das chamas em forma de espada que Eleonora usara para enfrentar e assustar os bandidos.

“Por que estavam atrás de ti? Comece a falar, e sem jogos”, diz a selvagem, feroz.

“Acalme-se Eleonora...”, intervém Roderic.

“Tudo bem, eu conheço ela”, diz Kniaz, descendo do cavalo.

“De onde?”, indaga a selvagem.

“De minha infância.”, diz firme o guerreiro. Sua resposta convida a selvagem a um grunhido baixo e a desfazer o feitiço, deixando as chamas em forma de lâmina se extinguirem.

“Rose-Marrie, por que estavam atrás de ti?”, diz Kniaz.

“Eu esperava ao menos um “que bom te ver”, Kniaz”, ela responde, com um meio sorriso.

“Que bom te ver. Por que estavam atrás de ti?”

“Hmph. Eu não posso responder, desculpa. Não aqui, no aberto. Aqui é perigoso, e eles podem conseguir reforços.”

“Muito bem”, diz Roderic, “vamos para um local seguro primeiro”.

***



Guiados por Rose-Marrie, os mercenários são levados à área mais central da cidade. Não sendo o principal ponto urbano de Himline, a cidade na verdade serve como um dos dois pontos de concentração rural do território, a maior parte do comércio sendo lidado pelos dois portos livres da região, cidades maiores e controladas por si mesmas. Como o único pedaço do antigo Konstrow que não afundou debaixo do mar, Himline é repleta de localizações históricas e de significância religiosa, a cidade também é um ponto central para diversas dessas localidades e para religiosos, estudantes, cruzados e peregrinos dos mais diversos tipos.

Em um parque mais perto da região central da cidade questionam Rose-Marrie o que está acontecendo. Ela insiste que não pode dizer o que é, mas que é algo muito importante, de vida ou morte, mas que não deve falar mais sobre o assunto, pelo menos não por enquanto.

Mais importante, a garota insiste em saber se estão vindo para Himline ou indo embora do território, ao que o grupo mercenário de início corretamente tem receio de revelar. Notando o receio deles em dividir informação, ela diz entender, especialmente por ela não desejar revelar informações de sua parte também, mas estende o conselho de que eles estarão mais seguros em seu próprio acampamento, caso possuam guardas e homens para defende-lo; os Filhos de Kargath, uma perniciosa organização de submundo criminoso presente em Himline, é dada a se envolver em assuntos que não lhes concerne, e sua presença é maior em distritos mercantes e mais pobres. O interesse dela sobre a direção do grupo mercenário é por que ela precisa ir em direção à Addford, e gostaria muito de alguma proteção após os apuros que passou com os Filhos de Kargath.

Roderic deixa a situação em encargo de Kniaz; ele não confia na garota, nem acredita ser sábio revelar seu verdadeiro propósito ou envolver um grupo criminoso com as proximidades da princesa Valerie, mas tampouco irá abandonar um irmão de armas, caso Kniaz tenha assuntos não-resolvidos. O guerreiro pede para que tentem convencer Karissa a leva-la, e pede uns minutos a sós antes de alcançar o grupo rumo ao acampamento.

“No que se meteste, Rose-Marrie?”, indaga Kniaz, deixado à sós com a garota.

“Tu mudaste. Foste para a guerra, não é?”, ela desconversa.

“...sim..”

“Mataram teus pais?”

“Sim. Os seus?”, ele pergunta, sendo respondido por um consentimento de cabeça. “Como?”

“Foi tudo tão rápido... Eu havia voltado de meus dois anos de instrução pré-mágica na Academia, e a península estava em desordem. Subitamente os Bann se rebelaram. Soube que uns nos defenderam, mas logo o castelo foi tomado de assalto. Meu mestre me tirou por uma rota de fuga em rumo ao ermo... poucos escaparam a matança.”

“Dion?”

“Sim. Eu não estaria aqui se não fosse ele, Kniaz. Tu és grande, sabe brandir uma espada. Poucos tem coragem de cruzar um homem de seu porte. Mas o mundo é cruel com uma garota solitária...”, ela diz, seu olhar se perdendo, “...eu teria passado por coisas bem piores se não fosse ele...”

“Eu prometo que tentarei lhe ajudar, Rose-Marrie”, diz Kniaz, então indicando uma estalagem onde se a encontrará até o fim da tarde.

“Muito bem. Sem mais promessas quebradas, não é?”, diz ela, após as instruções serem devidamente passadas.

“Eu... me desculpe Rose-Marrie.”

“Te desculpar? Por que? Eu que tenho de pedir desculpas. Meu pai não me ouvia Kniaz...”, seu tom de voz indica um desespero mal engolido, “...eu deveria ter lhe ajudado. O convencido a mandar tropas para tua família... Oh meu deus Kniaz... eu acho que tu tinha morrido. Se soubesse...” ela diz se afastando, antes de virar as costas e apressadamente se retirar, difícil dizer se falando sozinha ou com Kniaz. “Me desculpe”, ela diz, antes de rapidamente se afastar.

***

“A garota nos causará problemas”, quebra o silêncio da viagem Ivdan, sutil como uma nevasca, mas também dando voz às preocupações de Eleonora. “Eles têm alguma coisa, e isso nos trará problemas”, completa.

“De uma forma ou de outra não voltaremos as costas à um companheiro de armas”, responde Roderic, casual.

“Só estou avisando...”

“Ela é uma manipuladora. Eu não gosto dela”, rosna Eleonora.

“...tu não gosta de ninguém...”, responde Ivdan.

É então que Kniaz os alcança, e lhes revela sua intenção, sempre em palavras breves. Eleonora não gosta da situação, mas seu humor é suavemente melhorado por uma rosa que recebe de uma vendedora de rua, que lhe oferece a rosa em troca de uma benção do Senhor da Galhada. Ivdan também não fica agradado com a situação, mas os outros dois afirmam que irão apelar para a noção de justiça de Karissa, o que não exatamente o acalma.

***


O acampamento das Lâminas Púrpuras está erguido fora da muralha Norte da cidade. Não é incomum que caravanas e grupos grandes montem acampamento do lado de fora de muralhas; cidades não costumam ter espaço dentro de suas muralhas para tal, e dessa forma se evita o pedágio de portões. O acampamento em si é quase uma criatura com vida própria; os soldados já improvisaram flâmulas temporárias com o símbolo do grupo; o acampamento possui uma tenda pavilhão para uma enfermaria, uma para as reuniões estratégicas e uma para a convidada de honra, devidamente protegida a todo momento por dois Guardas do Dragão.

Frente a tenda da princesa são informados por um ainda convalescido mas se recuperando Dryfolk que a capitã Karissa está fora de turno de vigília, e que ele e Alyssas tiveram de força-la para fora do posto para descansar um pouco. Não demora para que Roderic e Kniaz estejam frente à tenda da capitã, apreensivos, para lhe repassar o pedido.

A situação ocorre surpreendentemente bem. Vestida, mas ainda molhada do banho, a capitã ouve o apelo, e enquanto não parece inteiramente agradada com a situação diz ser o dever de um cavaleiro defender os necessitados, e que se a garota que precisa de proteção está seguindo o mesmo rumo que eles, então sim, ela está perfeitamente disposta a ouvi-la. O constrangimento de Kniaz e Roderic ao imaginar como tal conversa será com os “não posso dizer o motivo” de Rose-Marrie só não é maior do que o causado por Ivdan, sutil como uma nevasca, ao incessantemente fitar a ainda molhada Karissa, como um tipo perverso de perseguidor, enquanto faz mais flechas.

***
 
Tirando sua atenção de flechas e da bela (e celibata) capitã Karissa, Ivdan procura por Eleonora, para um estranho pedido. Encontra a selvagem na tenda enfermaria, não exatamente vestida como uma moça descente deveria estar para receber visitas, seu torso protegido apenas por roupa de baixo, enquanto cuida dos ferimentos sofridos na luta contra os bandidos. O patrulheiro se envergonha com a intromissão, mas a selvagem não, o padrão social a que está acostumada aceita perfeitamente semi-nudez parcial perante outros afinal, e o convida para entrar e dizer o que lhe afeta.

Sem volta-se para a selvagem, Ivdan explica o que lhe afeta; com diversos rodeios ele fala sobre como o estilo de um caçador as vezes precisa de uma certa “ajuda”, e uma vez que ela é uma serva de deuses e caminhos antigos, além de uma herbalista, talvez ela entendesse algo dessas “ajudas”, e quem sabe fosse até mesmo capaz de ensinar ele a preparar suas próprias... “ajudas”.

Rindo do homem (mais ou menos) civilizado, a druidesa explica para ele que sim, que ela sabe como extrair substâncias tóxicas de plantas e animais. A diferença entre medicinal e tóxico muitas vezes é sutil, até mesmo mínima, conforme algo normalmente venenoso pode ser a cura para uma aflição –o caso de Belladona, também chamado de Acônito, que dizem ser a única coisa capaz de curar a licantropia-, e mesmo medicinas em excesso podem ser tóxicas, portanto ele não deveria estranhar uma curandeira entender disso. Ela o ajudará, eventualmente.

***



A tenda pavilhão da princesa é dividida em duas partes, a parte mais de trás, onde suas modestas acomodações foram feitas, protegida do lado de fora por um Guarda do Dragão, e uma “ante-sala” em que alguém pode ser recebido sem adentrar na privacidade real. É nessa ante-sala em que a capitã Karissa recebe o grupo e a jovem loira.

Kniaz havia buscado Rose-Marrie à cavalo, e inclusive lhe comprado um buquê de rosas em uma gentil tentativa de reatar laços de forma gentil, gentileza que é mais uma das facetas de seu passado que aparentemente esqueceu nesses anos de guerra e dureza. Havia a encontrado do lado de fora da estalagem, onde tinha passado a tarde toda; não havia ocorrido a Kniaz que ela talvez não tivesse nenhum cobre após ser perseguida pelos filhos de Kargath, e que talvez estivesse mais desesperada do que sua atitude indicasse.

Karissa era direta e sem dada a meias-verdades; uma vez que Kniaz confia na moça ela explicou exatamente o que estavam fazendo, a importância de quem estavam levando e por que estavam se dirigindo à Addford, sendo aberta e verdadeira, antes de desejar o mesmo da garota.

“Então por que os cães de Kargath estavam atrás de ti?”, questiona Di Lalo.

“Tu disseste que estão indo ter com o Cardeal, sim? O cardeal é um heroi que lutou durante a Guerra; até hoje o povo de Himline o honra como tal, bem como meu mestre o faz”, responde Rose-Marrie.

“Não desvie do assunto, Rose-Marrie”, intervém Kniaz.

“Não, estou sendo sincera. Inclusive ele acredita que o cardeal é o único homem que pode evitar que o reino torne-se puro caos. O cardeal irá lhes receber, e a princesa ficará segura, disso eu tenho certeza”, ela completa.

“Certo...”, a cavaleira diz, impaciente. “E qual é teu interesse nisso?”

“Ir convosco. Eu tenho minhas próprias razões para querer ter com o cardeal.”

“Que seriam?”, indaga Roderic, de braços cruzados.

“Salvar meu mestre”, ela desabafa, revelando um suave tom de desespero. “Ele é prisioneiro dos filhos de Kargath. O cardeal é minha única esperança de libertá-lo. Sozinha eu não passo de uma refugiada, o cardeal jamais me receberia. Por isso eu gostaria de ir convosco.”

“Pois bem. Mas tu não respondeste minha pergunta. Por que os cães de Kargath estavam interessados em ti?”, Karissa demanda.

“Eu...”, ela gagueja, abaixando os olhos. “Eu não posso lhes dizer. Ainda não.”

“Então não irá”, responde, simples e dura a capitã.

“Não, por favor, tu precisas me ajudar”, ela se volta para Kniaz, com seus grandes olhos azuis que tanto irritam Eleonora. “Kniaz, por favor.”

“Não há nada que eu possa fazer, Rose-Marrie. Não posso forçá-los a lhe estenderem confiança, se em seus olhos não o fez por merecer...”, responde o guerreiro.

“Talvez se confiasse em nós e contasse-nos sua história. Não é demais pedir que estenda a cortesia da confiança primeiro”, adiciona Roderic, enquanto ela parece cada vez mais desesperada, não pressionada, e sim desesperançosa.

“Pois bem, tu virá conosco”, diz a serena voz da princesa Valerie, saindo de seu ambiente particular. Todos os presentes caem de joelhos, ao mesmo tempo que Rose-Marrie se ilumina em um sorriso.

“Mesmo? Obrigada milady, obrigada!”

“Tu estás de pé perante a Princesa!”, rosna Karissa, quase ao mesmo tempo e atropelando os agradecimentos de Rose-Marrie.

“Isso não será necessário. Levantem-se, por favor”, adiciona Valerie, esperando que todos estejam de pé. “Está evidente que tu necessitas de ajuda, e que lhe corrói o coração precisar abalar a confiança depositada em ti por Kniaz. Não provocar-lhe-emos ainda mais angústia a forçar-te a esse dilema. Kniaz confia em ti.”

“Plenamente, majestade”, ele diz, respeitosamente.

“Então isso bastará”, ela o responde, e então se vira para Karissa. “Lady Karissa, por favor, permitamos que a jovem Rose-Marrie nos acompanhe em nossa viagem.”

“Seu pedido é uma ordem, majestade”, ela se curva, e então volta-se para os outros. “Vossa majestade pronunciou-se, e está decidido. Agora, por gentileza, não interrompamos ainda mais sua privacidade”.


Cidade Murada de Barrault - Himline - Ladrão 19 de 589E




Os dias passam, conforme o acampamento se prepara, providenciando suprimentos, estocando o que foi gasto e em geral se preparando para a viagem de pelo menos quatro dias a Addford. Em um desses dias Eleonora paga sua promessa para Ivdan, e o leva para um ponto um pouco mais afastado perto dos bosques próximos a fim de começar a lhe ensinar sobre venenos.

A sós, ela lhe explica que o ensinará como lidar com o veneno de serpente para começar, e que providenciará algumas doses para que possam trabalhar. Usa então de seus poderes dos caminhos antigos para se metamorfosear em uma grande serpente venenosa. A transformação é tão espiritual quanto física, e não se ouve ossos contorcendo ou músculos se esticando; sua forma simples e rapidamente muda, bem como sua coloração e textura em uma serpente verde e preta, mas com a diferença de cinco pérolas negras na testa e na cabeça, sua marca pessoal.

O batedor faz o sinal de Alene, respeitosamente, enquanto observa a serpente secretar o veneno em uma ânfora preparada. Apesar de já ter visto a druidesa em forma de lobo, cervo ou urso ao longo desse ano, nunca havia antes visto a transformação tão de perto, e pela duração do processo ele fica visivelmente incomodado, além de no mais absoluto silêncio.

Mas as coisas ainda ficariam mais sobrenaturais e assustadoras para o batedor, pois saído da grama alta aproxima-se deles a gata alaranjada de Rose-Marrie, chamada de Cherrie, que olha fixamente para a serpente e, para a surpresa de ambos, começa a falar.

“Eu sabia que era uma troca-peles”, diz ela em uma ronronante voz feminina, enquanto começa a cercar a serpente venenosa. Suas palavras são sussurradas usando o idioma do Povo Antigo, suas palavras estranhas e cantadas, mas que Ivdan é capaz de entender alguma coisa.

Sentindo-se ser cercada, a serpente se coloca em posição de ameaça. “O que quer, familiar?”, ela sibila no idioma das serpentes, e Ivdan absolutamente não fiz ideia do que ela está falando, e, pelo contrário, surpreende-se que uma gata esteja sussurrando Antigo e sendo respondido por sibilos.

“O que eu quero? Onde VOCÊ está querendo chegar, druidesa”, a gata diz, olhos cirrados.

“Diga sua intenção, não tenho tempo para teus jogos felinos”.

“A garota está sob MINHA proteção, serpente. Cesse as hostilidades, ou terá de se ver comigo”.

Se uma serpente pudesse sorrir, ela sorriria, conforme Eleonora não se sente intimidada. “Esquece teu lugar, familiar”.

“E tu se esquece a velocidade com que inquisidores perseguem pregadores das antigas fés...”. As duas se fitam por alguns instantes. “Cesse imediatamente as hostilidades para com a garota, e não haverá problema entre nós”, ela completa, e logo sua atenção cai sobre Ivdan, que claramente presta atenção em tudo. “Tu estás a entender!”, ela acusa, na língua comum de Eimland. “Por que um soldado saberia o idioma do mundo Antigo afinal?”, indaga ela, antes de se retirar com toda sua arrogância felina.


Mansão Calhart, Cidade de Nigallin - Nigallin - Ladrão 20 de 588E

“Nosso passarinho bateu asas, Le'Berry, e isso me deixa doente”, diz Vincent Calhart, em seu escritório em Nigallin. O local está iluminado pela luz do entardecer, mas as pesadas cortinas lançam longas sombras pelo aposento. “Não podemos tê-la livre. Pegue-a, esmague-a, e silencie sua música”, diz, recostando-se em uma confortável cadeira. “Lady Karissa e esses outros também”, completa.

“Incluindo Roderic?”, indaga Zackary Le’Berry, sem armadura e em roupas gastas de viagem. Sua aparência batida pela estrada contrasta com o vestuário impecável do lorde Calhart, bem como o de seus guardas de honra à porta do recinto.

Vincent suspira pesadamente, olhando para o escudo da família Calhart pendurado na parede atrás de Le’Berry. “...o tolo.... ele suja seu nome, atrapalha meus planos. Eu acreditei que essa seria a chance dele aprender as duras verdades do mundo. Uma chance de crescer. Mas tal não ocorreu; o garoto é teimoso demais.”

“Muito da sede por Justiça de vosso pai, tal é evidente...”

“Meu Lorde Pai mimava-o demais”, dispensa Vincent. “Que seja. Se ele se retirar-se do meio disso ou abandonar essa demanda, quão melhor. Caso contrário, não haverá mais nada que eu poderei fazer e seu nome não o protegerá.”

“Um verdadeiro irmão, milorde”, ironiza Le’Berry. “Gela meu sangue tua atitude”. Muda de assunto então. “Mas e se o bom Cardeal tentar proteger o passarinho? O próprio duque Volstan e todo o peso das Lâminas Gêmeas não poderiam tomar a princesa de debaixo das asas da Igreja, nem em mil anos.”

“Não preocupa-te com isso, mercenário. Essa possibilidade já foi considerada. E devidamente descartada. Ele estará lhe esperando.”

O general coça a barba por alguns instantes, antes de falar. “...sempre um passo a frente... tu és um manipulador do tipo mais assustador, Vincent Calhart.”

“Deveras?”, indaga Vincent, erguendo-se em sua cadeira, aparentemente farto com a falta de decoro do general. “Não seria prudente, então, que tomasse cuidado com tua língua? Há muitas maneiras assustadoras de manipulador silenciar um homem...”

“Por favor, milorde, eu sou um homem fiel. Bem mais do que um certo Cavaleiro Devoto, se puder adicionar...”, responde o guerreiro ancião, não se deixando intimidar.

“Adicione. Mas não permita que hajam mais erros”, ordena Vincent, dando o assunto como encerrado e preparando-se para deixar o ambiente, mas é porém interrompido pelo general.

“No assunto de erros, lorde Calhart, que tipo de bufão contrataste para capturar a princesa?”

Vincent para, mãos juntas as costas, observando o castelo Blackfen à distância. “Os homens que mandei fazê-lo foram encontrados mortos nas florestas perto do monastério. Alguém soube de nosso plano, Le’Berry, e parece interessar-se em atrapalhá-lo”, ele diz, com um certo ódio no fundo de sua voz. “Não importa, porém. Enquanto a princesa estiver nas mãos de Karissa ainda haverá uma chance de conseguirmos nosso prêmio.”

“Eu oro que esteja certo, por nosso próprio bem.... milorde.”


Caminho para Addford - Himline - Ladrão 19 de 589E


Já são alguns dias de viagem, e a caravana das Lâminas Púrpuras segue pelas estradas rurais em direção à Addford. Um grupo misto de quatro homens vai à frente, servindo como batedores a uma hora de galope, enquanto os tenentes seguem à vanguarda da caravana, ditando seu ritmo. Os soldados restantes, bem como animais de carga e suprimentos seguem mais atrás, cercando a carruagem onde a princesa é levada. Flanqueando a carruagem seguem sempre dois Guardas do Dragão.

A viagem segue tranquila, e conforme entardece alcançam a segurança das ruínas de Benoras Tor, um antigo forte de Konstrow a eras abandonado, hoje um local para viajantes pararem e protegerem-se do ermo durante s viagens. Mas nem tudo ocorre como o esperado, algo está claramente errado conforme sobem a trilha que leva às ruínas, e tão logo alcançar a parte superior podem notar o que é.

Protegidos pelas muralhas semi-caídas, um grupo de talvez uma dúzia de homens os aguarda. Rufiões e bandidos de estrada sua maioria, pode-se reconhecer alguns dos quais perseguiam Rose-Marrie em Barrault, mas dessa vez estavam acompanhados por três homens vestidos em pesadas armaduras de cota ou talas, mercenários experientes pelo visto. E tinham os quatro batedores, Anselm, Digoth Hunter, Layla e Rodrigue, ajoelhados com as mãos amarradas atrás das costas. Estavam conscientes, apesar dos hematomas indicarem que teriam sido subjugados e talvez espancados.

“Ei vós, não temos contenda contra vós, pelo menos não ainda. Nosso problema é com Rose-Marrie. Entreguem a garota, e problemas não cairão sobre vós”, grita um deles, sacando um machado e colocando-o próximo do pescoço de um dos homens.

O grupo se surpreende, mas não reage, afim de não colocar seus homens em risco. Eleonora claramente olha feio para Rose-Marrie, e Ivdan ostenta sua melhor expressão de “eu avisei”, conforme Roderic toma a frente.

“E quem sois vós para exigir alguma coisa enquanto ameaçam meus homens? Soltem-os, e então conversaremos com honra.”

“Tu sabes que isso não ocorrerá, milorde. Isso e não nascemos ontem. Seus homens pela garota”.

“Não haverá nenhuma troca desse tipo, bandido. A garota está sob nossa proteção.”

“Colocaria a vida de teus homens em risco por uma baderneira que mal conhece?”, provoca o soldado.

“Não. Eu sacaria minha espada e deixaria que o Criador decida quem está certo”, ele o diz, saltando da sela e sacando sua espada.

“Basta que a entregue e iremos para nossos caminhos separados; estamos em maior número e temos o terreno elevado”, diz mais uma vez o bandido, enquanto outros sacam suas armas e se preparam para o embate frente-a-frente.

“Nosso caminho é o mesmo dela. Se não desejam contenda, recomendo que retirem-se”, diz Dryfolk, soltando-se da sela e colocando-se ao lado de Roderic enquanto saca e beija a espada. “E da próxima vez que verem Garreau o lembrem que aqueles que vivem fora da lei são os primeiros a morrer por suas mãos”.

Os dois lados parecem resignados ao embate, conforme os dedos de Ivdan tremem esperando a primeira flecha, Rose-Marrie esconde a gata na sela de carga do cavalo de Kniaz e Eleonora segura firme a clava, dentes cerrados em um rosnado. Mas Kniaz tem um mal pressentimento; os oponentes não estão jogando limpo. Não apenas isso, ele nota figuras escondidas atrás dos muros, um número escondido e maior, esperando para um ataque surpresa.

“Cuidado, é uma emboscada!”, grita o guerreiro, avisando seus colegas.

O aviso é valido: De trás das paredes se revelam dois homens, vestidos em roupas de sábios, um mais velho e um garoto com aparência de aprendiz, segurando uma bomba metálica cada, acesa e pronta para ser arremessada. Mas Ivdan é muito mais rápido, seus dedos puxando flechas e disparando-as certeiramente no peito dos homens, derrubando-os ao chão.

E mais importante, derrubando as bombas.

 "noooooo"

Faz-se um instante de desespero conforme as bombas caem das mãos mortas, ainda acesas e prontas para explodir. Uma delas rola rampa abaixo, para os heróis, e a outra rola para o meio do grupo de bandidos. E para os Lâminas Púrpuras amarrados.

A explosão seguinte é devastadora. Metade dos heróis é arremessada ao chão com o impacto e os estilhaços. E do lado dos oponentes a explosão é ainda pior. Caindo exatamente no meio deles, a bomba pega-os desprevenidos, e do lado de baixo os heróis podem ver pedaços de bandidos voando. Mas nem todos perecem perante a explosão; os três homens armadurados saltam, selvagens, para fora da explosão, armas em mãos prontos para enfrentar os heróis.

A luta, porém, não dura muito. Três contra diversos é uma proporção a qual os ferozes mercenários não podem lidar, e apesar dos golpes de sorte eles logo são subjugados pela força combinada dos heróis.

Mas o destino não fora tão gentil com os soldados das Laminas Púrpuras. O estrago causado aos bandidos foi o mesmo causado aos soldados. Chega a ser impossível reconhecer onde termina um corpo e começa outro, tamanha a carnificina. Roderic fica profundamente abalado, talvez por se importar com os soldados, talvez por ser sua posição como líder. Não demora, porém, para que acusações recaiam sobre Rose-Marrie. Roderic é um dos acusadores, e diz a poderosa frase: “Espero que sua razão seja muito boa, pois perdemos quatro amigos hoje”.


Castelo de Addford - Himline - Ladrão 19 de 589E



O Castelo de Addford não é acompanhado da maior cidade de Himline. De fato, um argumento é considerável de a cidade ser, de fato, a menor do território. Tal fato se dá especialmente por Himline ser uma terra neutra, de pouca importância política mas de grande valor histórico. Addford em particular é a única fortaleza de porte grande do antigo império de Konstrow a ter sobrevivido o cataclismo que afundou o império de feiticeiros debaixo das águas após a morte de Alene.

A construção é poderosa, imponente, de um estilo quadrado que pouco lembra o estilo arquitetônico atual de Eimland. Não apenas isso, mas o castelo também é cinza e simples, sem a opulência típica da nobreza; mas tal fato deve-se mais à vontade da igreja do que ao estilo arquitetônico do castelo.

Os portões foram abertos tão logo disseram o motivo de sua vinda. Os rumores da morte do Rei eram verdadeiros, e os de que a princesa havia sido sequestrada preocupavam o coração do sagrado padre. Felizmente, porém, a princesa estava ali agora, sã e salva, e o grupo inteiro relatava ao cardeal os ocorridos, e suas preocupações.

“Compreendo, Sera Karissa”, diz o cardeal, um homem de idade mas ainda repleto de vigor de combate. “Eu lhe garantirei toda minha ajuda perante essa circunstância. Despacharei um mensageiro para Heagrove imediatamente; o Sagrado Sacerdote saberá disso por uma carta escrita por minha própria mão, eu lhe garanto. Nós exporemos os mal-feitos de Volstan, e garantirei que nenhum mal recairá sobre nossa Majestade.”

“Vossa eminência acredita que o Sagrado Sacerdote ouvirá nossos pedidos? Qual será nosso plano de contingência?”, indaga a capitã, sem muito entender da situação política atual.

“Não temas, querida dama. Tu estás sob meu cuidado agora. A princesa valerie não tem como se sentir segura ao ver sua protetora tão preocupada”, diz isso olhando aos mercenários, que fazem gestos de aprovação para a capitã. “Aproveitem os confortos do castelo, tão poucos quanto sejam, enquanto esperamos a resposta de Heagrove. Enquanto tivermos a sagrada Alene como nossa guia, não há nada a temer.”

A capitã faz uma mesura de cabeça, enquanto Kniaz toma iniciativa. “Sobre nosso outro tema...”

“Sim. Quanto a ti, jovem nobre, eu também considerei teus problemas. Eu mandarei uma companhia escolhida a dedo com os melhores homens da Ordem da Cruz Solar para trazer um fim a esses Filhos de Kargath.”

“Obrigado, eminência”, responde, respeitosamente, Rose-Marrie.

“Condicionado a algo”, ele interrompe tanto a jovem quanto Kniaz. “Eu desejo saber a razão de que estão atrás de ti e seu mestre.”

“...ahn...”, ela gagueja “...devido à minha antiga posição em Falonde...?”, arrisca.

Eleonora rola os olhos, mas Kniaz a fita com uma expressão dura. Tentar manter segredos ao Cardeal, que está disposto a ajudar, parece ser algo muito ruim no livro dele. O homem porém, apesar de ter todo o direito de fazê-lo, não se altera.

“Por favor, jovem...”, ele sorri, dispensando a mentira dela. “Talvez saber que possuo isso lhe acalme?”, diz então enquanto abre uma gaveta e puxa dela uma orbe vermelha cristalina. A gema é bela, perfeitamente circular, e grande o suficiente para que sejam necessárias duas mãos para envolvê-la. A maioria ali fica sem entender; Rose-Marrie empalidece.

“Um cristal?”, corta o silêncio Dryfolk.

“Sois familiar com a lenda dos Heróis das Estrelas?”, indaga o cardeal.

“Em minha juventude eu ouvi lendas sobre”, menciona de passagem Roderic.

“Lendas? Relatos, jovem. Certamente, ser Calhart, tu não sugeres que a igreja mente aos fieis ou lhes inventa fábulas...”

 "Não cardeal. De forma alguma cardeal"

“De forma alguma, iminência!”, responde rapidamente Roderic, abaixando a cabeça.

“A muito tempo atrás, antes das montanhas terminarem de caminhar pelo mundo, demônios dominavam o mundo”, começa a princesa Valerie, em sua voz pacífica. “Cinco heróis existiam, e juntos eles enfrentaram os demônios. Após uma longa e cruel guerra, obtiveram sucesso em expulsar os demônios de volta para o mundo espiritual, e o mundo conheceu paz novamente. Cada um dos cinco portava um cristal, marcado com o poder das estrelas, que usaram para completar tal façanha. E então, em tempo, vieram a ser conhecidos como Herois das Estrelas. Desde então, quando discórdia e dor afligem os salões dos homens, eles retornam ao mundo para nos salvar novamente. Mesmo a Sagrada Alene andou junto dos Cinco, e juntos eles salvaram Eimland de seu fim nas garras dos feiticeiros de outrora”.

“Muito versada, minha jovem, meus parabéns”, diz o cardeal.

“Eu fui criada em monastérios, eminência. Tive bons professores”, responde, humilde a princesa.

“Nós chamamos essas joias das cinco Jóias das Estrelas. A pedra que veem perante vós agora é exatamente uma dessas joias lendárias”, completa o cardeal.

“Elas existem?”, indaga Karissa. “Não acreditava que isso era possível...”

“Ou que elas estivessem em Eimland ainda...”, completa Roderic.

“Ou que eles têm de fato o poder sagrado de afastar os demônios? Eu confesso que posso sentir um poder dentro delas, algo superior, mas meus olhos veem apenas um cristal vermelho.”

“E as outras padre? Onde estão?”, pergunta Ivdan.

“Uma excelente pergunta para um homem de fé. Perdidas e espalhadas pelo mundo, aparentemente. Mas acredito que a contenda dos Filhos contigo envolva esse assunto, sim?”, vira-se então para Rose-Marrie, que tem o olhar perdido no brilho rubro do cristal.

“Há debaixo de Sildalar muitos restos de civilizações passadas. Maravilhas de eras passadas podem ser encontradas em escavações, inertes, a muito tempo destruídas ou sem poder. Mas basta passar uma pedra dessas perto deles e seus cristais se enchem com vida e magia... ressoando perante o cristal...”

“E os Filhos procuram o poder da jóia, sim?”

“Eu não sei que tipo de poder as Jóias das Estrelas têm, eminência; eu apenas sei que eles procuram uma forma de controlar seu poder, criar armas, usá-la para seus propósitos nefários”, ela meneia a cabeça. “Meu mestre não quis lhes entregar a pedra, então eles o raptaram... Ele sempre falou em grande estima e admiração por vossa eminência... por isso em meu desespero o procurei...”

“Não te preocupe, jovem dama. A Igreja lidará com isso. Nossas forças atacarão, e arrancaremos a Jóia de suas mãos vis.”

“...é... sim eminência. Obrigada”, timidamente responde Rose-Marrie.

“Agora aproveitem a hospitalidade do castelo e descansem sob nosso teto por hoje antes de tomarem novamente a estrada meus filhos. Que Alene guie seus passos”, diz então, em dispensa, apenas pedindo que a princesa permaneça para ter com ele.

“Jamais teríamos chegado até o cardeal sem vossa ajuda, amigos. Têm minha gratidão”, diz a capitã, se aproximando de Roderic e o cumprimentando com um aperto de antebraço.

“Apenas o dever de um cavaleiro, Sera. Jamais poderia ver mal recair sobre a princesa”, responde o nobre.

“E eu mostrarei essa gratidão lhes ajudando com minha espada”, diz Alyssas. “Creio que seguirão o rastro de justiça das forças do cardeal, sim?”, ela se vira então para a capitã, “Sera Karissa, eu desejo acompanhar suas forças. Em pagamento.”

“Permissão garantida, querida amiga”, responde Di Lalo.

“Tal pagamento não é realmente necessário, Alyssas”, dispensa Roderic, cortês.

“Assumo que não. Mas é o menor que posso fazer em pagamento à vossa honra. Sacrificaram bastante para nos ajudar em uma luta que não era sua. É o mínimo que posso fazer, ajudar um dos seus em uma luta. Prometo que não entrarei em vosso caminho; tão logo Dion e a pedra estejam seguros eu retornarei a meus deveres”, diz ela, firme.

“Sendo assim, eu também os acompanharei”, diz também Dryfolk, um sorriso confiante cruzando seus lábios.

“De forma alguma, amigo. Tu ainda estás muito convalescido para tal. Alyssas portará nossa bandeira, e agirá com honra por nós três”, diz a capitã, convidando o sorriso confiante de Dryfolk a se tornar um amargo sorriso decepcionado, conforme ele engole o orgulho, derrotado por um ferimento.

“Não estou pedindo que venham conosco”, diz Kniaz, voltando-se para seus companheiros. “Homens demais morreram devido a algo que lhes pedi”.

“Tal solicitação não se fará necessária, Kniaz”, diz Ivdan.

“Rumamos para Sildalar então, ao raiar do Sol”, completa um confiante Roderic.

...apenas Eleonora não parece gostar do prospecto de ajudar a “bonitinha”, e seu olhar se cruza com o da familiar, mas ainda assim todos parte para ajudar; não pela garota, mas por seu amigo silencioso Kniaz.