Herois de Amanhã - 36  

Posted by Diego Bastet



Diário de: Lich

A ultima visão de Brianna trouxe mais perguntas que respostas para a Cabala. Quem era esse orc? O que ele significava? Era um ser físico, esperando ou hibernando até ser convocado ou mais um guia espiritual para os novos heróis que tentassem impedir os Yuan Ti? E Porque ele era tão diferente dos Orcs da Montanha que conheciam?

Lembraram claramente do sonho onde Savith chegava a cavalo na cidade, onde Orcs da Montanha de porte nobre e civilizado, a acompanhavam... Séculos antes de que, oficialmente, existissem Orcs nesse mundo. Quão pouco sabiam desta raça, que para a maioria eram simples brutamontes homicidas das montanhas? E qual é a relação de Nar em tudo isto?



Muitas foram as perguntas e especulações, mas sem nenhum a informação adicional sobre o tema, ficariam somente nisso: ideias. Uma ultima vez, pediram para Brianna vislumbrar onde poderiam encontrar este Orc, esta salvaguarda deixada por Savit...

A pergunta foi respondida da maneira mais críptica possível: A visão mostrando Sarkross, mas não a ilha que conheciam, mas sim uma cidade montada no topo de uma grande montanha...

Em fim as adivinhações de Brianna tinham se esgotado, e o outro oráculo do grupo, Kazzarath, tinha mais um dia para frente para reaver suas bênçãos naturais. Preferiram evitar as adivinhações por agora, e se focar na missão que tinham pela frente: Resgatar Gared Mata Trolls e matar o general traidor dos Uderfan.

Eles só esperaram até que Celeste confeccionasse alguns escritos mágicos para ajudá-los, então a Cabala partiu, deixando Luna, Lindriel, Lucian e Ragnaros para trás, a fim de defender os Morloks e se curarem.  O resto da cabala partiu para a torre dentada dos Yuan Ti.

Decidiram evitar o território dos Urdefhan, e graças ao macabro barco fantasma de Celeste, conseguiram cruzar segura e rapidamente pelo lago mais inferior do local. Porém, correntezas e cachoeiras impediam que prosseguissem a barco, além do receio de monstros desconhecidos nas aguas. Continuaram a pé, pelo menos por um tempo.

A parte da cidade em que estavam era, estruturalmente, similar ao resto, porem era coberta por um verdadeiro manto de teias grossas, supunham eles de algum tipo de aranha gigante do subterrâneo. E pela grossura das teias, deveria ser enorme.

Por que são sempre aranhas?

Aqui e ali era possível ver casulos de urdefhans e morloks presos e mortos, pendurados na teia e drenados de seus líquidos vitais.

Decidiram que era melhor evitar confrontos e evitar as aranhas, enquanto se dirigiam a uma elevação mais afrente, onde acreditavam que poderiam cruzar o lago em direção a Torre-prisão sem chamar atenção dos Urdefhan e nem dos tsocares, disfarçados de morloks.

Foi preciso um pouco das habilidades de cada um para cruzar essa parte da cidade sem atrair atenção: Cibele, exemplar escapista, mostrava a eles onde pisar e como se mover, enquanto procurava ativamente por lugares que fossem melhor evitar. Erika, que era uma curandeira respeitável, conseguia identificar desde longe o odor dos corpos recém mortos, e com isso evitar as áreas onde aranhas poderiam ainda estar. Cyridia, Kazzarath e Celeste, que eram excelentes guias e rastreadores, utilizaram-se de seus conhecimentos em sobrevivência, geografias e natureza para rodear as construções, evitar as aranhas e encontrar caminhos por entre os pedregulhos da encosta.

Apesar dos perigos, eles conseguiram se virar bem, a ponto que, em uma depressão na encosta, descobriram de onde viram as teias: Não de aranhas, mas sim reais pesadelos vivos...

Uma grande colônia de criaturas do tamanho de um halfing, de cor avermelhada, lembravam a mistura entre um humanoide, um caranguejo e uma aranha. Patas de artrópode sustentavam um torso vagamente humanoide, mas deforme, e tentáculos se erguiam de suas costas, terminando em pinças similares a dos caranguejos.

As criaturas monstruosas viajavam agilmente pela teia, ao redor de outra, que devia ser uma matriarca ou algo similar, que era muito maior, chegando aos 4 metros, e cujos tentáculos, mais longos e em maior numero que dos pequenos, se moviam como órgãos sensoriais, possuindo uma língua que trepidava como as das cobras.



Ninguém soube informar que tipo de monstro era aquele, apesar de que Brianna tinha certeza de que eram Obyriths. Ela descreve que havia três grandes... “famílias” de aberrações antigas, que correspondiam aos três filhos de Ekaria. Dagon era o senhor dos Qplots, que possuíam aparência aquática, Sartrous era o senhor dos Sarrukh, e seus filhos possuíam formas serpentoides. E por ultimo, um ser Inominável, pai dos Obyriths que lembravam artrópodes...

Eles agradeceram a sorte por não cruzar com estes monstros, e continuaram sua peregrinação.

Subiram a encosta por um caminho habilmente encontrado por kazzarath e o rio por um vau elevado feito de pedra, onde um altar com a figura de sartrou se erguia imponente sobre a água. Lá viram uma requintada escultura que revelava a habilidade dos Yuan ti: Aonde caia uma grande coluna de água, vinda da superfície, havia sido construída uma fonte que, por algum tipo de sistema, era parcialmente direcionada para três grandes cabeças de cobra que jorravam a água a grande distancia. Não ficaram mais para analisar o local, já que Kazzarath e Raagras conseguiram perceber uma criatura se movendo por debaixo das águas...

Cruzaram esta parte do lago e chegaram ao outro lado, que era parte da cidade, porém tomada por uma miríade de fungos brancos que formavam uma densa floresta mais a frente, que devidamente evitaram, até chegar a uma das formações geográficas mais perturbadoras do local.

No meio da caverna havia uma enorme fenda, de mais de 100 metros de largura, que bordejava o lago onde a torre-prisão estava. Mas ela pouco tinha de natural, como puderam perceber, ao ver que construções em suas bordas tinham sido destruídas pelo evento, e um vapor denso de água impedia a visão par ao que aguardava abaixo.



Celeste conjurou uma vez mais seu caldeirão voador, e em poucas viagens levou tudo mundo até o outro lado, onde uma rocha grande e segura permitia um porto e uma vista privilegiados para aquela enorme torre.

A enorme construção em forma de cobra naja que decorava a torre se erguia ameaçadora sobre o lado, baixo  a espectral e difusa luz esverdeada do local. Três enormes colunas de água caiam da superfície, alimentando o lago e criando grandes e perigosas ondas.

Celeste conjurou mais uma vez seu barco fantasma, e o com tudo mundo a bordo, o drakar navegou dificultosamente pela terrível correnteza, que teimava em puxá-los para o vórtice formado onde as grandes e violentas cachoeiras caiam, direito para um naufrágio certeiro.

Graças as qualidades de seu fantasmagórico navio e as habilidades da bruxa como navegadora, conseguiram evitar as três colunas de água e chegar a salvo ao rabo da cobra, que possuía uma abertura tal qual o Elfo das Sombras tinha descrito.



O barco entrou sem problemas na abertura no final da cobra e logo se vira num saguão bloqueado por uma pesada grade de metal que os impedia de subir.

Cibele e Cyridia tentaram procurar uma alavanca ou mecanismo de abertura, mas foi em vão. Sigfried, Raagras e Kaazarat tentaram levantar a porta, mas por maior força que fizessem, era impossível fazê-lo. Celeste teve a idéia de arrancar a porta do local, e amarrou-a no seu barco fantasma, mas por maior que fosse o poder do barco, o portão era muito bem resguardado e a corrente quebrou antes de conseguir sequer entortar as barras.

Eles precisavam criar uma abertura que permitisse entradas e saídas fáceis. Cibele e Celeste poderiam facilmente passar o grupo de avanço para o interior da torre, mas se caso precisassem fugir, precisariam o fazer rápido.

Eles pensaram mais e mais sobre o tema até que Raagras perdeu a paciência e sacrificando um pouco das poucas e preciosas cargas de sua espada de energia, fez um corte triangular nas grades. Kazzarath, Erika e Sigfried puxaram ela para abri-la.

Dane-se essa merda

O corredor se abria adiante deles, fazendo uma curva suave a medida que subiam. O local era ovulado e o chão liso, bom para se subir quando não se tem pernas.

Decidiram que deveriam encontrar um local melhor para criar um posto avançado, e foram Cibele, Raagras, Ciridia, Erika e Kazzarath, encantados por uma das runas mágicas de visão no escuro que Celeste tinha preparado.

Avançaram silenciosamente pouco mais de 30 metros, com Cyridia indicando a eles aonde pisar. E numa mais abruta curva no corredor conseguiram ver o que parecia ser uma porta, como uma guarita de guardas. Cibele e Raagras se aproximaram para ver o que parecia, de fato, ser uma sala se guardas, porem mais requintada que a que conheciam de humanóides.

Raques de armas e armaduras de Yuan ti estavam encostados nas paredes, assim como uma mesa com pés e mãos decepados de morloks colocados despretensiosamente como uma vasilha de frutas.

Conseguiram ver 4 Yuan-tis adentro, trocando olhares como numa conversa silenciosa. Os homens-cobra eram telepatas natos. Eles sentavam sobre requintadas cadeiras ovais.

Cibele e seus companheiros decidem voltar e levam junto Cyridia, Kassarath e Erika para onde Izak, Sigfried, Andors e Celeste aguardavam. A espiã descreve rapidamente a cena e Sigfried, sendo o mestre de armas da Cabala, ordena um ataque.

Cyridia lidera Erika, Kazzarat e Sigfried em movimentos silenciosos, enquanto Cibele e Raagras avançam sozinhos, trabalhando para obter o fator surpresa...

Porém, Raagras pisa em falso e escorrega, caindo com um dos joelhos no chão. O som ecoa alto o suficiente para os Yuan-ti escutarem. Eles saem de sua guarita, e igualmente ficam surpreendidos ao ver o grande grupo que invadia a torre...